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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026

Brasília

Técnicos de enfermagem são presos por mortes em UTI do DF

  • Foto do escritor: Allyson Xavier
    Allyson Xavier
  • 19 de jan.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 20 de jan.

Investigação da Polícia Civil aponta aplicação de medicamentos irregulares e uso de desinfetante em pacientes internados em estado grave em hospital particular de Taguatinga

Hospital Anchieta. Imagem: Rede Social
Hospital Anchieta. Imagem: Rede Social

Crimes de extrema gravidade cometidos por três técnicos de enfermagem em um hospital particular do Distrito Federal vieram à tona após investigação da Polícia Civil do Distrito Federal. As vítimas estavam internadas em leitos da Unidade de Terapia Intensiva e sofreram piora súbita do quadro clínico, seguida de paradas cardíacas praticamente imediatas.


De acordo com a Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa, um dos suspeitos aplicava substâncias diretamente na veia dos pacientes em doses elevadas, prática totalmente contraindicado. Em um dos casos, ao não obter o efeito desejado, o técnico chegou a injetar mais de dez doses de desinfetante, provocando a morte da vítima.


Segundo o delegado Wisllei Salomão, coordenador da CHPP, os elementos reunidos ao longo da investigação demonstram intencionalidade clara nos crimes.


“Temos vídeos que demonstram as ações dos envolvidos e a análise detalhada dos prontuários médicos. Há indícios consistentes de que o técnico se passou por médico, acessou o sistema do hospital, realizou prescrições e preparou substâncias que foram aplicadas nas vítimas”, afirmou.


As investigações apontam que o suspeito acessava o sistema interno do hospital, realizava prescrições irregulares, retirava os produtos na farmácia e os escondia no jaleco antes de aplicá-los nos pacientes. Após provocar as paradas cardíacas, ele ainda realizava manobras de massagem cardíaca, numa tentativa de simular reanimação e dissimular os crimes diante da equipe médica.


Dinâmica dos crimes e participação de outras técnicas

Além do principal suspeito, duas técnicas de enfermagem também foram presas. Embora não tenham aplicado diretamente as substâncias, a Polícia Civil aponta que elas presenciaram os atos, vigiaram a entrada do setor e não denunciaram as irregularidades ao hospital nem às autoridades.


Uma das profissionais não atuava no mesmo plantão, mas mantinha relação próxima com o técnico. A outra era recém-contratada e estava em treinamento sob sua supervisão. Imagens das câmeras de segurança mostram que ambas observavam a movimentação no corredor para evitar a entrada de terceiros no momento das aplicações.


O uso de desinfetante ocorreu quando o suspeito já não tinha mais acesso a medicamentos. O produto era retirado do próprio leito e aplicado diretamente na veia da paciente, procedimento fatal. A vítima, uma professora aposentada de 75 anos, morreu em 17 de novembro.


Quem são as vítimas

Arte: Eixo Central
Arte: Eixo Central

Até o momento, três mortes são tratadas como homicídios suspeitos:


• uma professora aposentada de 75 anos, moradora de Taguatinga

• um servidor público de 63 anos, residente no Riacho Fundo I

• um servidor público de 33 anos, morador de Brazlândia


As famílias acreditavam inicialmente que os óbitos tinham ocorrido por causas naturais. A suspeita de crime só foi confirmada após a análise das imagens da UTI e a investigação interna conduzida pelo hospital.


Possibilidade de novas vítimas

A Polícia Civil não descarta que outros pacientes possam ter sido vítimas, tanto no mesmo hospital quanto em outras instituições onde o técnico trabalhou anteriormente, inclusive unidades públicas. Um levantamento será realizado para identificar óbitos com características semelhantes.


O principal suspeito, que havia sido demitido do hospital e trabalhava em uma UTI neonatal de outra instituição particular, confessou os crimes após ser confrontado com as imagens.


Confira a nota do hospital na íntegra:

“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.


Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.


Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.


O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.


O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça.”


_______


Os técnicos de enfermagem foram presos nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026. Eles podem responder por homicídio qualificado, crime cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão. As duas técnicas investigadas por negligência podem responder por coautoria, caso fique comprovada participação indireta ou omissão relevante. As investigações seguem em andamento, e a polícia afirma que ainda não há uma motivação definida para os crimes.


A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal foi ampliada e, conforme fontes ligadas à apuraçãoao menos outros 20 óbitos estão sendo analisados por apresentarem padrões semelhantes aos casos já confirmados, como piora súbita do quadro clínico e paradas cardíacas inesperadas em pacientes internados em UTI.


Os investigadores apuram se essas mortes ocorreram no mesmo hospital ou em outras unidades de saúde onde o principal suspeito atuou anteriormente, inclusive instituições públicas. A Polícia Civil informou que o levantamento envolve análise de prontuários médicos, escalas de plantão e imagens de câmeras de segurança.


Até o momento, esses casos adicionais ainda não foram oficialmente confirmados como homicídio, mas seguem sob investigação.


Fontes: Polícia Civil do Distrito Federal, Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa, Hospital Anchieta, Agência Brasil

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