Relatório global aponta aumento da desigualdade no Brasil e questiona dados do governo Lula
- Allyson Xavier
- 19 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Relatório internacional aponta aumento da concentração de renda entre 2014 e 2024 e questiona metodologia usada pelo governo e pelo Ipea para anunciar avanço social

Um relatório internacional sobre desigualdade global colocou em xeque o discurso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem celebrando uma suposta queda histórica da desigualdade no Brasil. Conforme o estudo, a concentração de renda aumentou no país ao longo da última década, contrariando dados divulgados oficialmente e análises recentes do Ipea.
Trata-se de dois estudos recentes mostraram cenários opostos para essa questão, esquentando o debate entre economistas. Um novo relatório sobre desigualdade global divulgado nesta quarta-feira (10/12), o World Inequality Report 2026, afirma que a renda concentrada no bolso dos mais ricos aumentou nos últimos anos no Brasil, tornando o país ligeiramente mais desigual entre 2014 e 2024.
Ainda segundo esse relatório, produzido por um amplo grupo de economistas, entre eles o francês Thomas Piketty, a desigualdade brasileira "permanece entre as mais altas do mundo".
O levantamento indica que, entre 2014 e 2024, a renda dos mais ricos continuou crescendo, enquanto a participação dos mais pobres no total da renda nacional permaneceu baixa. O Brasil, segundo o relatório, segue entre as nações mais desiguais do mundo, com forte concentração de riqueza no topo da pirâmide social.
Em nível global, os números apresentados pelo estudo são ainda mais expressivos. O relatório aponta que 0,001% da população mundial concentra três vezes mais riqueza do que os 50% mais pobres da humanidade, evidenciando um cenário de desigualdade extrema e estrutural.
O estudo mostra que a desigualdade não apenas permanece elevada, como se intensificou em vários países, inclusive no Brasil, quando analisados dados fiscais e patrimoniais mais amplos.
A principal divergência entre os números do governo brasileiro e os dados internacionais está na metodologia utilizada. Enquanto o discurso oficial se baseia majoritariamente em pesquisas domiciliares, o relatório global cruza essas informações com dados fiscais, registros de patrimônio e contas nacionais, o que tende a captar com mais precisão a renda real dos grupos mais ricos.

Especialistas ouvidos pelo estudo afirmam que pesquisas domiciliares, embora importantes, subestimam a renda do topo da pirâmide, criando uma leitura mais favorável do que a realidade econômica efetiva. É justamente essa limitação que, segundo o relatório, permite ao governo sustentar a narrativa de queda da desigualdade.
Críticos avaliam que o governo Lula estaria selecionando recortes estatísticos convenientes para reforçar politicamente suas políticas sociais, deixando de lado indicadores que mostram o avanço da concentração de renda. O contraste entre os dados oficiais e o relatório internacional reacende o debate sobre transparência, rigor metodológico e uso político das estatísticas públicas.
Enquanto o Planalto insiste em celebrar avanços sociais, o estudo global sugere que os ganhos continuam concentrados em uma parcela muito reduzida da população, colocando em dúvida se a redução da desigualdade anunciada reflete de fato a realidade econômica do país.
Fontes: Veja e G1





















