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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sociedade

Respiro entre grades: projeto leva música, dança e consciência corporal às mulheres da Penitenciária Feminina do DF

  • Foto do escritor: Allyson Xavier
    Allyson Xavier
  • 17 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Um projeto cultural voltado ao corpo e ao autocuidado tem provocado mudanças emocionais e comportamentais entre mulheres privadas de liberdade na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF). Após 15 semanas de oficinas de dança, respiração e percepção corporal, psicólogas e participantes relatam transformações visíveis no bem-estar e na rotina das internas.


O “CorpoConsciente – Escuta de Si”, realizado com apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), foi conduzido pelas psicólogas Clara Costa e Thaís Germano. As atividades aconteceram durante 15 sextas-feiras, com duração de duas horas, onde as internas do sistema prisional puderam participar de oficinas de danças, caminhadas em diferentes ritmos, exercícios de automassagem, movimentos livres ao som de música e dinâmicas voltadas à percepção do corpo.


A imagem mostra um grupo de mulheres, a maioria vestida com camisetas brancas e calças claras ou coloridas, participando de uma aula de dança. O cenário é simples e institucional: paredes cinza com pequenas janelas altas horizontais (como grades ou aberturas de ventilação típicas de presídios), piso de concreto e iluminação natural fraca. Elas estão em posições de movimento, com braços levantados ou estendidos, sugerindo uma coreografia sincronizada ou alongamento. A foto transmite um momento de alegria e conexão coletiva, contrastando com o ambiente restritivo.

As atividades semanais envolviam música e dança, práticas restritas no ambiente prisional | Foto: Elise Milani

A adesão ao projeto foi imediata — algo incomum em atividades terapêuticas dentro e fora do sistema prisional, segundo as psicólogas “já nos primeiros encontros, as mulheres em privação de liberdade começaram a participar com entusiasmo”, de acordo com Clara Costa, ao final do ciclo, muitas delas apresentavam mudanças claras na postura: ombros mais relaxados, peito aberto e expressões faciais mais leves.


As psicólogas afirmam que as técnicas ensinadas ultrapassaram o espaço das oficinas e passaram a ser usadas no cotidiano das celas. “Em situações de ansiedade, insônia ou conflitos internos, as internas nos relataram que recorreram a exercícios de respiração, automassagem”, continua Thaís Germano, “esse foi um dos sinais mais fortes de que o projeto conseguiu despertar consciência corporal e autonomia emocional”.


As atividades semanais também se tornaram um momento de alegria, especialmente quando envolviam música e dança, práticas restritas no ambiente prisional, afirmam as psicólogas. “As internas pediam que nós levássemos canções específicas e celebravam os dias em que havia ritmos como funk”, descreve Thaís.



No encerramento, o impacto afetivo da experiência ficou ainda mais evidente. As participantes entregaram cartas de agradecimento às psicólogas e compuseram uma música sobre o processo, citando pelo nome as profissionais e as técnicas aprendidas. Uma das internas coreografou e apresentou uma dança ao som de “Dona de Mim”, de Iza, como forma de homenagear o grupo.


Para Thaís, que trabalha com psicoterapia corporal, os efeitos mais profundos ultrapassam o campo do bem-estar imediato. Ela acredita que vivências como essas fortalecem a capacidade de vínculo, consigo mesmas e com o outro, algo essencial para mulheres que enfrentam traumas tanto anteriores quanto decorrentes da própria realidade prisional.


“Quando o corpo encontra espaço para respirar e se conectar, aumenta a chance de elas construírem novos caminhos quando deixarem o sistema”, afirma.

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