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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

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ONU pressiona Governo Lula por segurança e infraestrutura na COP30

  • Foto do escritor: Allyson Xavier
    Allyson Xavier
  • 13 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, criticou autoridades brasileiras por falha de segurança quando ativistas invadiram o local da conferência

Protesto de indígenas e ativistas na COP30 no dia 11/11/2025. Reprodução: Internet.
Protesto de indígenas e ativistas na COP30 no dia 11/11/2025. Reprodução: Internet.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece na capital paraense desde o último domingo, enfrenta um constrangimento internacional logo no início dos trabalhos. Em uma carta contundente enviada ao governo brasileiro na noite de terça-feira (12), o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, criticou duramente falhas de segurança e infraestrutura no evento, exigindo ações imediatas para mitigar riscos como invasões, inundações e condições climáticas extremas.


O documento foi endereçado ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. Stiell apontou uma tentativa de invasão por manifestantes a um pavilhão restrito na Zona Azul do Hangar Centro de Convenções da Amazônia, área exclusiva para negociações formais, chefes de Estado e delegações oficiais. Segundo a carta, a Polícia Federal brasileira, sob orientação do gabinete presidencial, teria sido instruída a não intervir, o que agravou a vulnerabilidade. "Portas desprotegidas e falhas na entrada e saída de autoridades expõem riscos inaceitáveis", escreveu Stiell, demandando um plano de contingência "urgente" para reforçar a proteção.


Além da segurança, a ONU destacou problemas estruturais que comprometem o bem-estar dos participantes. Altas temperaturas, ar-condicionado inadequado e alagamentos em áreas comuns foram citados como "preocupações urgentes" que demandam intervenção imediata. "Essas condições precárias não apenas afetam a saúde dos delegados, mas também a credibilidade do evento", enfatizou o secretário.


A escolha de Belém, justificada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como forma de destacar a vulnerabilidade amazônica às mudanças climáticas, tem sido alvo de críticas desde meses antes da abertura. Delegações de nações insulares e países em desenvolvimento já haviam alertado para a falta de acomodações acessíveis, com preços elevados de hospedagem e ausência de uma plataforma oficial de reservas.


Em resposta, o Ministério da Casa Civil emitiu uma nota afirmando que "vem atendendo às demandas da ONU" por meio de "reposicionamento e ampliação de forças de segurança, climatização dos espaços e correção na estrutura". A pasta destacou que "todas as questões são tratadas diariamente em pontos de controle conjuntos com a UNFCCC, garantindo correções contínuas em um evento de tal dimensão". No entanto, a carta da ONU reflete uma tensão crescente: antes mesmo do início da COP30, em agosto, dezenas de negociadores assinaram um manifesto pedindo a transferência parcial do evento para outra cidade, citando os mesmos entraves logísticos.


O incidente da invasão ocorreu na noite de terça-feira (11), quando um grupo de movimentos sociais furou o bloqueio e ocupou parte do Hangar, gerando confronto com seguranças da ONU. A ação, que não resultou em feridos graves, esvaziou temporariamente a área e irritou autoridades, incluindo o próprio Lula, segundo fontes próximas. A segurança externa é responsabilidade do governo federal, que decretou Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para envolver as Forças Armadas no policiamento de Belém durante a conferência. Críticos, no entanto, questionam se a ênfase em protestos pacíficos não comprometeu a vigilância em zonas sensíveis.


A COP30, que reúne mais de 100 chefes de Estado e milhares de delegados até o dia 22, é um marco para o Brasil, que assumiu a presidência da UNFCCC com o compromisso de avançar em metas de redução de emissões e financiamento climático. Mas os tropeços iniciais ameaçam ofuscar as discussões sobre florestas, adaptação e transição energética. Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo, Bloomberg Línea

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